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segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Reter Talentos

Marcelo acompanhava cada um de seus clientes individualmente. Saía da empresa e ia onde o cliente estava para satisfazer uma necessidade. Todos diziam que ele realmente era “surpreendente”. Desligou-se da empresa sem dizer os motivos.
            Júlio era o melhor vendedor. Vendia muito mesmo. Vendia mais do que o dobro da média dos outros vendedores. Pediu demissão alegando motivos pessoais.
            Marcela era uma secretária exemplar. Bilíngüe, ela atendia todos com destreza e cortesia. Tinha uma excelente capacidade de redação e dominava bem editores de texto e folhas de cálculo. Saiu da empresa sem explicar a razão.
            O que terá acontecido com estas três pessoas – reais, como nomes fictícios?
            Conversei separadamente com cada uma delas.
            Marcelo explicou que deixara a empresa porque o seu chefe se incomodava muito com o seu sucesso junto dos clientes. Os clientes ligavam para a empresa e queriam falar com ele (Marcelo) e não com seu chefe. As pessoas da empresa também não entendiam porque é que Marcelo recebia tantos convites dos clientes e fornecedores para confraternizações e isso parecia gerar um certo ciúme interno. O Seu chefe começou a não permitir que ele visitasse os clientes com a mesma freqüência. Isso tudo o deixou muito aborrecido e ele resolvei pedir a demissão.
            Com Júlio o que aconteceu foi que ele vendia tanto que a sua comissão de vendas era maior do que o salário do seu chefe. Ele queria, então, renegociar sua comissão para baixo. Dizia: “Você não pode ganhar tanto!”. Esse foi o real motivo de sua saída.
            Marcela disse que se cansou de “brigar para trabalhar”. O seu chefe mandava-a mentir a todo o instante. Marcava um compromisso, não ia e mandava Marcela dizer que ele não estava sabendo do compromisso agendado. Além disso o ambiente de trabalho era muito mau. As pessoas eram mal educadas, pouco gentis, e não havia respeito entre as pessoas que confundiam a vida profissional com a vida pessoal.  A esposa e as filha do patrão mandavam e desmandavam na empresa sem que pertencessem ao quadro de funcionários.Não agüentou mais. Pediu a demissão.
            Reter talentos não é fácil. Justamente por serem pessoas talentosas, elas exigem condições de trabalho especiais. Muitas delas não reclamam, não falam, não se justificam. Como sabem ser talentosas e confiam na sua empregabilidade, elas simplesmente saem do emprego alegando qualquer motivo banal como “preciso de tempo para mim.”  Elas não dizem a verdade porque sabem que a verdade poderá ofender e não querem sequer ter essa preocupação a mais. Simplesmente partem para outro emprego, outro desafio.
            A discussão de retenção de talentos é fundamental nos dias de hoje, porque não há como sobreviver num mercado competitivo com pessoas sem talento na nossa empresa. Todos temos muitos concorrentes, com qualidade semelhante e preços similares. A nossa diferença só pode estar em gente talentosa que faça a diferença todos os dias, diferenciando a nossa empresa, a nossa marca.
            Para reter talentos é preciso dar condições para que exercitem seus talentos. Sem essas condições, pessoas talentosas sentem-se mal e procuram sempre um lugar onde possam desenvolver os seus talentos. E essa é a palavra-chave. Pessoas talentosas sentem necessidade de desenvolver os seus talentos. Por isso sempre querem mais. Por isso querem sempre maiores desafios. Por isso são essenciais para o sucesso de uma empresa.
            E a sua empresa? Você e a sua empresa criam as condições necessárias para que talentos se desenvolvam? Ou você prefere medíocres obedientes que farão sempre tudo o que o chefe mandar? Pense nisso. Sucesso!

Texto adaptado de: desconhecido.

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